O presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB) quer retirar do governo o papel de financiador da cultura. Na melhor linha neoliberal, FHC planeja o Estado assumindo o papel de estimulador de parcerias entre iniciativa privada e produtores culturais. FHC deu a linha mestra para a cultura na abertura do seminário "Cultura e Desenvolvimento", realizado anteontem em São Paulo (SP). "Os patrocinadores devem dar o dinheiro e cabe aos produtores culturais decidir como usá-lo", afirmou. Na cena cultura imaginada pelo presidente eleito há poucos recursos saídos dos cofres públicos. Isso não significa um mecenato a fundo perdido. O liberalismo na cultura inclui a idéia de lucro. "Os empresários podem usar os monumentos, por exemplo, para gerar dinheiro", disse. O governo deve fornecer avais através de uma fundação ou instituto--um "selo de qualidade"-- para que os projetos culturais ganhem credibilidade frente a seus patrocinadores potenciais. No discurso que fez durante o seminário, FHC usou a comparação com os métodos usados no financiamento da pesquisa por instituições como Fapesp e CNPq. "Há casos que até em 48 horas se aprova um projeto apresentado, de forma simples", afirmou. A comparação indica que o governo pode adotar o modelo de "comitê julgador" para avaliar os projetos culturais. É como funciona hoje o financiamento científico: o projeto é analisado por três consultores, especialistas na área, que aprovam ou não a proposta. Esse modelo permite diminuir o tempo de tramitação dos projetos em análise, já que o comitê de avaliação se torna uma instância praticamente única. "É preciso diminuir os controles na área de cultura", disse o presidente eleito. Em seu discurso, FHC disse que criará mecanismos para que os ministérios da Educação e da Cultura atuem conjuntamente. "Um tem que fertilizar o outro. Um depende do outro. Quando se vêem escolas em ruínas, é sinal de que falta ao país o amor à escola. E só se consegue isso valorizando a cultura", argumentou (Ilustrada-FSP) (JB).