No lançamento do Mapa Ecológico do Brasil, em cerimônia ontem no Palácio do Planalto, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apontou, em relatório, a crítica situação das unidades de conservação do país. De acordo com WWF, a Mata Atlântica é a que apresenta a situação mais dramática dos ecossistemas brasileiros, com mais de 80% de sua área devastada. "Do que restou, 80% está sob a forma de propriedade privada e apenas 0,5% de sua área original encontra-se resguardada por unidades de proteção integral", diz o documento. O mapa lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apenas dá uma lista das áreas de proteção, sem detalhar o que, de fato, está protegido ou não. O cerrado é o outro ecossistema brasileiro mais prejudicado. "A proteção integral atinge apenas 1,5% do ecossistema do cerrado e cerca de três milhões de hectares são convertidos anualmente para atividades agropecuárias". Ainda de acordo com o WWF, o Brasil tem apenas 1,8% do seu território protegido por unidades de conservação de proteção integral (parques nacionais e reservas ecológicas), contra 5% da média mundial. O percentual de áreas de proteção integral no Brasil é menor do que a média da América do Sul (6,7%) e até de países pequenos, como Japão (3,5%), Indonésia (7,1%), Equador (5,6%) e Paraguai (2,8%). O Mapa Ecológico do Brasil, o primeiro que contém todas as unidades de conservação federal, foi produzido pelo IBGE, com apoio financeiro do WWF. Na divulgação do trabalho, o governo aponta 192 áreas protegidas pelo governo federal, "o que significa uma área de 44,6 milhões de hectares ou 5,2% do território nacional". Para o WWF, o total das áreas protegidas no Brasil só atinge 5,2% do seu território se consideradas as reservas florestais, "que nunca foram implementadas e não fazem parte do sistema de unidades de conservação". No seu relatório, o WWF ressalta o que o mapa do IBGE não mostra. O Fundo garante que muitas das áreas registradas pelo governo no seu mapa ecológico não possuem sequer o papel. "Existem 2.142 hectares de terras privadas dentro de unidades de proteção integral que ainda não foram desapropriadas", diz o documento. "O rápido processo de ocupação do território brasileiro e a ausência de uma política de criação de unidades de conservação comprometem a possibilidade de protegermos ecossistemas muito importantes para o país", afirmou o diretor-executivo do WWF, Eduardo Martins (O ESP).