O presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), avisou que não fará mudanças rápidas em seu governo e quer ser cobrado no final do mandato, daqui a quatro anos, pelos compromissos de garantir a estabilidade da economia e o crescimento com distribuição de renda. Ao final de quase 15 horas de debates no seminário "Brasil e as Tendências Econômicas e Políticas Contemporâneas", realizado em Brasília (DF), Cardoso lançou as metas do "Acordo de Brasília", com os 64 intelectuais presentes. "As expectativas de mudança rápida serão submetidas a um cálculo estratégico", acenou o presidente eleito, argumentando que não é preciso fazer tudo de uma só vez. "Ninguém espera por um milagre, mas por um sinal claro de que seguimos um rumo, com convicção". No discurso de encerramento, Cardoso afirmou que aprendera muito com os colegas e dava apoio integral à necessidade de promover o crescimento econômico com cuidados especiais às políticas sociais-- um consenso no encontro. O seminário, segundo suas próprias palavras, foi "uma contribuição importante" para esclarecimentos e reforço de idéias que ele pensa pôr em prática a partir de janeiro. Aproveitar o logo seu cartucho político para fazer as reformas mais urgentes, tomar todo o cuidado com a política fiscal, não privatizar estatais só para fazer caixa e não descuidar da educação foram algumas das recomendações que recebeu dos oradores e debatedores (O ESP).