EXÉRCITO FICA NAS RUAS DO RIO PELO MENOS ATÉ MARÇO DE 95

O convênio entre a União e o governo do Estado do Rio de Janeiro para o combate ao crime organizado, que expiraria no dia 31, prosseguirá no próximo ano, com modificações estratégicas, conforme anunciou ontem o ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, ao participar de um almoço em homenagem ao presidente da República, Itamar Franco, no Rio. Uma das mudanças na Operação Rio será a saída progressiva do Exército das ruas e as Polícias Militar e Civil passarem a fazer as ocupações para repressão aos criminosos. "O Exército não se afastará totalmente, pois ficará trabalhando com a inteligência e a informação", afirmou o ministro, prevendo que os militares poderão deixar as ruas da cidade em março do ano que vem. Dupeyrat também afirmou ter determinado "sérias apurações" sobre as denúncias de torturas que teriam ocorrido na ocupação militar no Morro do Borel, na semana passada. Mas, considerando o episódio como "muito estranho", ele disse que as denúncias podem ter sido feitas "por alguém infiltrado, com o intuito de desmoralizar a ação do Exército". No almoço em sua homenagem, o presidente Itamar Franco salientou que o problema da violência urbana é universal, observando que nas cidades e países com maior equilíbrio na distribuição de renda e menos desemprego há também menos violência. Mas, destacou: "Não é possível admitir que marginais, quaisquer que sejam as razões que os tenham levado à delinqu"ência, pretendam substituir o Estado nos subúrbios das grandes cidades". O Exército fez sua primeira vítima fatal desde o início da Operação Rio. Alex Pacheco, de 20 anos, morreu anteontem à noite ao ser atingido na cabeça por tiro de fuzil FAL disparado por um militar no Morro do Urubu, na zona norte da cidade. Segundo o Exército, Pacheco tentou furar à bala o bloqueio no acesso principal do morro. A versão foi confirmada por moradores da favela. No carro também estava Eduardo Maia, que ficou ferido. O Exército informou que havia maconha no veículo. Na maior ação integrada desde o início da Operação Rio, tropas do Exército fecharam ontem de madrugada a Feira de Acari, conhecida como Robauto. Cerca de 150 veículos foram apreendidos e mais de 100 vendedores detidos por estarem sem notas fiscais. A operação mobilizou cerca de 500 homens, entre soldados do Exército, policiais e guardas municipais. Os ambulantes anunciaram que vão desobedecer o decreto do prefeito César Maia (PMDB) que proíbe a realização da feira e prometeram montar suas barracas no próximo domingo (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).