As Varas da Infância e da Juventude de São Paulo estão sendo acusadas de promover adoções internacionais irregulares, funcionando como uma verdadeira rede de exportação de crianças de famílias pobres. A acusação é feita por funcionários dessas varas que, temendo represálias, não querem ser identificados. De acordo com denúncias recebidas pelo Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo (USP), pais de baixa renda são induzidos a entregar seus filhos, assinando papéis que não entendem, ou, após episódios de maus tratos, perdem o pátrio poder por determinação do juiz. De acordo com os funcionários das varas, as crianças são entregues a famílias estrangeiras, principalmente da Itália, França, Holanda e Irlanda, sem que os parentes mais próximos tenham a oportunidade de se candidatar à custódia. As denúncias se concentram principalmente nas Varas da Infância e da Juventude de Pinheiros e de São Miguel Paulista. Também menciona o Hospital Ermelino Matarazzo, entre outros, como fornecedor de crianças. Segundo Sandra Carvalho, uma das coordenadoras do Núcleo de Estudos da Violência, devido ao grande número de denúncias recebidas, o órgão encaminhou ao secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Corrêa Meyer, um pedido de abertura de inquérito policial para apurar os fatos (O Globo).