Eles sabem que não vão resolver o problema, mas estão dispostos a abrir suas portas e fazer a sua parte. São pais, mães e até avós, que começam a integrar o programa "Vem pra casa, criança", uma espécie de mutirão da cidadania, reunindo a prefeitura, Movimento Viva Rio, Juizado de Menores e organizações não-governamentais (ONGs) do Rio de Janeiro. A intenção é reduzir um número alarmante, que envergonha a sociedade e os governos estadual e municipal: cerca de mil crianças dormindo e esmolando nas ruas da cidade. A última contagem feita pelo Fundo Inter-Religioso Contra a Fome e Pela Vida aponta 30 famílias interessadas em oferecer um lar substituto às crianças de quatro a 12 anos que serão beneficiadas pelo projeto. Mas é preciso mais. De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Wanda Engel Aduan, existem hoje 320 crianças-- sem nenhuma referência familiar-- que estão sendo preparadas para os lares substitutos. O Viva Rio anunciou que conseguiu cadastrar 150 padrinhos para o programa. Pessoas como Pelé, Chico Anysio e Luiza Brunet, que assumiram o compromisso de pagar um salário-mínimo por mês-- durante um ano-- a uma família carente, que cuidará de uma criança de rua. Para os integrantes do Viva Rio, o próximo desafio é a criação de 40 abrigos, não só para crianças, mas também para adolescentes e famílias que vivem nas ruas. A idéia é conseguir parcerias com a iniciativa privada, que ofereceria espaços a serem administrados pela prefeitura, funcionando como albergues. Para os adolescentes, um programa de profissionalização e encaminhamento a empregos. Empresas como a Verolme e Ishibrás já oferecem cursos profissionalizantes de metalurgia e pretendem reservar 40 vagas (O Globo).