Pelo menos 52 parlamentares que integrarão a Câmara dos Deputados a partir de 15 de fevereiro de 1995 são donos de hospitais, parentes próximos dos acionistas, provedores de santas casas ou ex-secretários de Saúde. Uma bancada com 10% dos 513 deputados federais, equivalente ao quarto maior partido do Congresso Nacional, depois do PMDB, do PFL e do PSDB. São 45 donos de hospitais e assemelhados e 14 ex-secretários de Saúde, dos quais sete têm hospitais. Com isso, os 4.328 hospitais privados, que representam apenas 1,6% das 270 mil empresas de médio e grande porte do país, elegeram 29% da bancada de 154 empresários da futura Câmara. Entre os atuais parlamentares, o crescimento dessa bancada é atribuído a uma sigla mágica: AIH. É a Autorização de Internação Hospitalar, documento usado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pagar os serviços prestados pelos hospitais de sua rede credenciada. Se forem somados a esse grupo de 50 deputados os que foram eleitos com o apoio dos hospitais privados da rede credenciada do Ministério da Saúde, a bancada pode chegar a 70 deputados. A CPI do INAMPS, que encerrou seus trabalhos recentemente, também chegou à conclusão de que uma boa parte dessa bancada elegeu-se graças às AIHs. Elas foram consideradas pela Comissão Parlamentar de Inquérito um dos principais instrumentos das fraudes contra a Saúde e responsáveis pela eleição da já apelidada "bancada da AIH". A investigação profunda sobre o uso eleitoral das AIHs pode resultar em
84055 um escândalo de maiores proporções do que a tão falada CPI da máfia do
84055 Orçamento, conclui o líder do PFL na Câmara, Luiz Eduardo Magalhães (BA), candidato a presidente da Casa. A CPI do INAMPS calcula que cerca de US$1,6 bilhão em recursos da Saúde se vão pelos ralos da fraude. O total gasto em AIHs pelo país no ano passado foi de US$2,6 bilhões. Segundo o Ministério da Saúde, 70% desse total foram para a rede privada e 30%, para a rede pública (O Globo).