A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) vai iniciar dia 15 de dezembro uma operação no sul do Pará para retirar milhares de garimpeiros e madeireiros que vêm atuando ilegalmente dentro da reserva indígena caiapó, com 3,4 milhões de hectares. Todo equipamento encontrado dentro da área indígena após 15 de dezembro será confiscado e seus proprietários presos. A operação poderá desencadear uma guerra na área indígena, pois as operações irregulares de venda de madeira e extração de ouro são aprovadas pelas principais lideranças caiapós, entre os quais os caciques Tapiet, Cube-I e Tokran. A exploração madeireira e dos garimpos de ouro na reserva caiapó é responsável por 70% da economia nos municípios do sul do Pará. A expulsão terá graves repercussões na economia de municípios como Redenção, Tucumã, Ourilândia, Xinguara, Novo Progresso e São Félix do Xingu. Há forte pressão dos prefeitos, das associações comerciais e das madeireiras para que a ilegalidade persista. Para uma sociedade que produz apenas o equivalente a 30% de sua economia
84045 fora das áreas indígenas, qualquer ação enérgica da FUNAI no sentido de
84045 fazer cumprir a lei, garantindo a proteção dos índios e de seu
84045 patrimônio, acaba por assumir contornos de um atentado aos seus interesses
84045 imediatos, afirma o sertanista Odenir de Oliveira, da FUNAI, em relatório feito com a participação do IBAMA, da Polícia Federal e do Departamento Nacional de Produção Mineral sobre a exploração mineral e de madeira nas terras dos índios mais ricos do Brasil. A empresa Marsam, com sede em São Paulo, é a principal responsável pelos garimpos existentes na reserva caiapó, segundo levantamento da FUNAI, PF e DNPM. A Marsam assumiu uma dívida de R$243 mil, o equivalente a 22 quilos de ouro, que os caiapós tinham com comerciantes de Redenção e pretende recuperar o dinheiro prolongando, por mais seis meses, a exploração do garimpo (JB).