O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não vai checar se os candidatos à Presidência da República mentiram na prestação de contas de suas campanhas. O tribunal apenas vai avaliar se foram cumpridos os aspectos formais da apresentação, de acordo com a legislação eleitoral. "A lei não deixou outra solução. Se alguém quiser mentir, pode", afirmou o diretor-geral do TSE, Alysson Mitraud. Segundo ele, o tribunal pode fazer somente uma auditoria nas contas se for provocado por alguma denúncia. A documentação que prova ou não a regularidade das contas de campanha fica guardada pelos partidos. Da sala do Batalhão da Polícia Militar em Brasília (DF), onde está preso há um ano e um dia, o empresário Paulo César Farias, o PC, disse que o episódio de divulgação dos doadores das campanhas eleitorais revela a "hipocrisia" como foi tratado o seu caso na CPI do caso Collor. Segundo PC, as campanhas deste ano são semelhantes às de 1989, quando ele abasteceu o caixa do candidato Fernando Collor de Mello (PRN). O empresário disse que se lembrou do "purismo" que os parlamentares do PT adotavam na CPI. "A palavra empreiteira era, por si só, uma imoralidade", disse. De acordo com informações de PC, a participação das empreiteiras nas campanhas petistas deve ter sido proporcionalmente maior do que na jornada que levou Collor ao Palácio do Planalto (FSP).