AIDS: ESTADO DE EMERGÊNCIA MUNDIAL

O Dia Mundial da AIDS foi marcado, ontem, por muitas promessas, mas nenhum acordo concreto. A I Conferência Internacional de Chefes de Estado sobre a AIDS, em Paris (França), foi ignorado por 29 dos 42 convidados. Apenas 13 chefes de governo compareceram. Os demais, inclusive o Brasil, mandaram ministros e embaixadores. O tom da conferência, pessimista, foi evidenciado pelo secretário-geral do ONU, Butros Ghali. "A epidemia está fora de controle. Estamos aqui para declarar estado de emergência mundial", afirmou. Quase todos os representantes do Primeiro Mundo prometeram aumentar as verbas destinadas ao combate à AIDS, porém nenhum acordo foi assinado. A maior doação foi prometida pelo Banco Mundial: US$150 milhões. O diretor-geral da OMS, Hiroshi Nakajima, salientou, entretanto, que é preciso assinar acordos urgentes. "Tem se prometido muito, porém, quase nada foi feito. A AIDS afeta todos os continentes e é preciso uma ação urgente", disse Nakajima. Segundo a OMS, há 17 milhões de infectados pelo vírus HIV no mundo, a metade deles com menos de 25 anos. No ano 2000, os infectados serão 40 milhões, a maior parte nos países do Terceiro Mundo. Gali e Nakajima frisaram que a AIDS se tornou um grande problema econômico, que pode aumentar a pobreza da África, Ásia e América Latina. Tanto organizações não-governamentais quanto os integrantes da conferência destacaram que 13 anos depois da descoberta do vírus HIV praticamente nenhum progresso foi feito. A doença continua sem cura e se disseminando a uma velocidade cada vez maior. Os cientistas não sabem sequer como deter o HIV ou melhorar a qualidade de vida dos soropositivos. Os 42 países presentes à conferência se comprometeram a proteger os direitos dos soropositivos, aidéticos e grupos de risco; associar governos a órgãos não- governamentais; aumentar o acesso à prevenção, informação e transfusões de sangue sem riscos. Brasil, com 55.894 casos de AIDS, é o país que registra maior número de doentes na América Latina e o quarto no mundo, depois dos EUA, Uganda e Tanzânia, segundo estatísticas da OMS. Em São Paulo, estado que concentra 60% dos doentes de AIDS no país, o número de portadores do vírus HIV aumentou 13,73% de janeiro a julho deste ano. São 34.216 casos desde julho de 1986, quando foi identificado o primeiro doente de AIDS. Segundo o GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS), a Grande São Paulo tem 17.800 doentes, contra 6.500 do Rio de Janeiro e 1.700 de Porto Alegre. Ontem, aconteceram manifestações em quase todos os países europeus, EUA e Ásia. Em Recife (PE), o Grupo Viva Rachid promoveu ato público pedindo mais atenção das autoridades para as crianças aidéticas, que não contam com nenhum serviço especializado para seu tratamento no estado (O Globo) (FSP).