O procurador da República no Rio de Janeiro, Gustavo Tepedino, requisitou ontem a abertura de três inquéritos-- na Auditoria Militar federal, na Auditoria Militar estadual e na Polícia Civil-- para apurar as denúncias de prática de torturas por militares e policiais que participaram da invasão do Morro do Borel, na Tijuca, no fim de semana passado. Segundo ele, pelo menos duas pessoas-- o camelô Francisco José Reis de Oliveira e um evangélico que não quis se identificar-- sofreram torturas durante interrogatórios realizados na favela. O procurador também remeteu ofício ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, solicitando que o ministro do Exército, general Zenildo Lucena, e o governador do Rio, Nilo Batista (PDT), sejam informados do caso. Em depoimento ontem na Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados, o comandante da Operação Rio, general Roberto Câmara Senna, disse que os altos índices de violência no Rio são consequ"ência da falta de policiamento ostensivo. Apenas a décima parte do efetivo da Polícia Militar trabalha diretamente contra o crime e, segundo o general, se o estado colocar mais dois mil soldados no patrulhamento da cidade, a violência poderá ser neutralizada. Também na Comissão de Defesa, o ministro do Exército, Zenildo Lucena, informou que a Operação Rio será prorrogada apenas para garantir a transição para o governo Marcello Alencar (PSDB) (O Globo) (JB).