VIOLÊNCIA CONTRA MENORES ASSUSTA PESQUISADORES

A violência contra crianças e adolescentes praticada em Duque de Caxias (RJ) virou motivo de debate entre especialistas reunidos recentemente num fórum internacional promovido pela Organização Panamericana de Saúde (Opas) em Washington (EUA). Os pesquisadores ficaram surpresos quando a diretora do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde (Claves), a antropóloga Cecília Minayo, denunciou que 20% de um grupo de 1.328 adolescentes da região tinham algum parente assassinado. Os dados são de um estudo da pesquisadora Simone de Assis publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, editada pela FIOCRUZ. O estudo mostra que a mortalidade por causas violentas entre crianças e adolescentes brasileiros vem crescendo nas últimas décadas. No período entre 1979 e 1986, as taxas de mortalidade por homicídio ou acidentes de trânsito cresceram 14% na faixa etária entre 10 e 14 anos e 46% entre adolescentes dos 15 aos 19 anos. O estudo revela que 75% dos adolescentes ouvidos durante a pesquisa referiram os irmãos como agentes da violência. O pai foi apontado em 40% dos casos e a mãe, em 45%. A ocorrência do uso de arma ou a ameaça de usá-la foi relatada por 40% dos adolescentes no caso das agressões praticadas por irmãos. A partir desses números, a pesquisadora estimou que 10.955 estudantes de Duque de Caxias conviviam cotidianamente com a violência familiar (O ESP).