O casal Ademir e Denise da Silva-- ele negro e ela mulata-- vai entrar na Justiça na próxima semana contra a equipe médica contratada há cinco anos para fazer uma inseminação artificial em Denise. Thiago, filho que hoje tem quatro anos, é branco. Ademir, 43 anos, vendedor de telefones, e Denise, 37 anos, funcionária pública municipal, querem ser indenizados por "abalo moral". Eles moram em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS). O casal, que assumiu o filho e diz tratá-lo "com amor", declarou que a diferença de cor entre eles e Thiago tornou a vida um sofrimento. Denise já tentou o suicídio, segundo o advogado Irani Mariani, que vai entrar com a ação judicial. Ademir, que não pode ter filhos por insuficiência de espermatozóides, está convencido de que houve erro na seleção do sêmen. "Sonhávamos em ter um filho da nossa cor e foi isto que pedimos aos responsáveis pela inseminação", disse. Segundo Mariani, para quem é Incontestável" a existência de erro médico, Thiago foi registrado no cartório como se fosse de cor negra. Segundo ele, os responsáveis pela inseminação disseram aos pais depois do nascimento que o menino "pegaria cor". O advogado disse que, se vencer a causa, a Justiça deve fixar a indenização do casal entre mil e dois mil salários- mínimos (de R$70 mil a R$140 mil). O ginecologista Arnaldo Kunde, que introduziu o sêmen em Denise, disse que não tem responsabilidade em um eventual erro médico. Segundo ele, o bioquímico Osmar Oliveira, que selecionou o material para a inseminação, disse que o sêmen era adequado ao caso (FSP).