O Comando Militar do Leste (CML) anunciou ontem que as denúncias de tortura contra moradores do Morro do Borel (Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, capital) feitas, por carta, pelo padre Olinto Pegoraro ao general Câmara Senna, comandante da Operação Rio, serão investigadas por uma comissão. As denúncias incriminam militares do Exército. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) atesta que três moradores do Borel, submetidos a exame de corpo de delito, foram vítimas de agressões. Alex Sandro Correa de Azevedo, de 18 anos, Carlos Eduardo Rodrigues da Silva, de 18 anos, e Francisco José Reis de Oliveira, de 25 anos, foram submetidos a perícia após denunciarem a prática de tortura por militares envolvidos nas operações de combate ao tráfico. O diretor do IML, Alexandre Maluf Cavalcante, disse, no entanto, que "não há substratos suficientes para indicar a ocorrência de tortura". O resultado da perícia será encaminhado ao delegado da 19a. DP (Tijuca), Oswaldo Cupello. O caso mais grave é o do comerciário Francisco José, que afirmou ter sido agredido com "socos e chutes" por militares da Polícia do Exército (PE), no último dia 27, além de ter sido torturado com choques elétricos e ter a cabeça várias vezes mergulhada num tanque com água. O governador Nilo Batista (PDT) também mandou instaurar inquérito para apurar se policiais praticaram torturas (O Globo).