GOVERNO PROÍBE VANTAGENS PARA ESTATAIS

O governo avisou ontem as três maiores estatais do país-- PETROBRÁS, TELEBRÁS e ELETROBRÁS-- que nenhuma vantagem salarial deve ser concedida aos seus 182,5 mil funcionários, além do IPC-r previsto na lei. A orientação vale inclusive para a PETROBRÁS, que voltou a negociar ontem com os petroleiros um acordo para encerrar a greve suspensa no último dia 25. Em reunião realizada ontem, o titular da Secretaria Especial de Controle das Estatais (Sest), Raul Jungmann, negou ainda o pagamento de um abono aos eletricitários e impôs obstáculos à uniformização de tabelas funcionais dos telefônicos. Historicamente, as três empresas sempre agiram com autonomia ao negociar os acordos com seus funcionários. O governo agora quer pôr um ponto final nesta atitude, numa decisão que contraria o encaminhamento para interromper a greve dos petroleiros. Depois de assumir a negociação, o governo voltou atrás, rompeu o acordo assinado com a categoria e deslocou para a PETROBRÁS a negociação. A ELETROBRÁS se encontra em plena data-base e só poderá oferecer 15,67% garantidos pelo IPC-r como o acumulado de inflação entre julho e outubro. Na reunião de ontem, o secretário-executivo de Minas e Energia, Ronaldo Alves de Souza, propôs o pagamento de um abono aos 42,4 mil eletricitários do Sistema ELETROBRÁS, de forma a amenizar os ânimos da categoria, em estado de greve. Já a TELEBRÁS propôs uma recuperação nos salários dos seus quase 90 mil funcionários através de uma uniformização nas tabelas salariais, reduzindo-as de 1,2 mil para 120. Isso, no entanto, significaria um aumento médio de 2% acima do IPC-r. Jugmann não disse não, mas criou obstáculos que surtiram o mesmo efeito (O ESP).