MILITARES INVESTIGAM OS LÍDERES DE FAVELAS

O Exército está investigando a ligação dos líderes comunitários com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O serviço de informações da Coordenação de Segurança Integrada (Cosi), chefiada pelo general Roberto Jugurtha Câmara Senna, conseguiu autorização para grampear os telefones comunitários de favelas como o Borel (Tijuca), Dona Marta (Botafogo), Dendê (Ilha do Governador) e Mangueira, já invadidas pelas Forças Armadas. "A lei do tráfico é esta. Quem não colabora com o negócio das drogas, morre. Por isso, estamos investigando a vida de cada líder comunitário", disse um oficial graduado do Comando Militar do Leste. Segundo ele, militares à paisana do serviço de informações do Cosi estão subindo as favelas que foram invadidas para confirmar as ligações dos moradores com traficantes. O Exército está convencido de que 80% dos líderes comunitários de comunidades carentes são ligados ao tráfico. Um estudo do governo estadual, feito no ano passado, confirma estes cálculos. De acordo com o serviço de informações do Exército, os presidentes de associações se vêem obrigados a compactuar com os traficantes, que querem a simpatia dos moradores. Por isso, boa parte deles adotou a política assistencialista. O líder comunitário seria o elo entre o tráfico e a comunidade. A Federação das Associações das Favelas do Rio de Janeiro (Faferj) contabilizou, entre 1991 e 1993, 37 asssassinatos de líderes comunitários. O estudante Carlos Eduardo da Silva, de 17 anos, registrou queixa ontem na 19a. DP (Tijuca) contra espancamento. Segundo ele, as agressões partiram de militares e policiais civis e militares durante a ocupação dos morros da Tijuca. Ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. Carlos Eduardo contou que foi detido por militares às 8h do último dia 25, quando saía de casa em companhia de um primo que é soldado do Exército. "Eles me levaram para a igreja. Lá, tive que ficar nu, e levei várias pauladas". Segundo ele, outras 10 pessoas encontravam- se na mesma situação (JB).