RURALISTAS APROVAM MORTE OFICIAL DA UDR

Depois de ter lotado as galerias do Congresso Constituinte em 1987, com propostas de defesa da propriedade privada e da livre iniciativa, hoje a União Democrática Ruralista (UDR) sequer é capaz de encher uma pequena sala de reuniões. Exatamente por isso-- a absoluta falta de quorum-- os membros da UDR votarão hoje, em assembléia-geral extraordinária, a extinção pura e simples da entidade, depois de uma curta história em que teve até um candidato à Presidência da República. Fundada em 1985 em Goiás pelo médico Ronaldo Caiado, a UDR se firmou nacionalmente no ano seguinte, ao conseguir reunir proprietários de terra por todo o país. Em 1989, Caiado se candidatou à Presidência, representando os proprietários de terra. No entanto, somente se elegeu nas eleições para deputado federal no ano seguinte. Este ano, liderou por muito tempo as pesquisas para o governo de Goiás, mas não conseguiu sequer disputar o segundo turno das eleições. O atual presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, propôs a reativação da entidade em 1992, mas a proposta não teve boa aceitação por parte dos produtores rurais. Em setembro deste ano, devido à quase nula mobilização dos fazendeiros da UDR, Santos decidiu propor o fim da entidade. Para o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos maiores líderes ruralistas no Congresso Nacional, a UDR não é mais necessária porque o produtor rural passou a cobrar suas aspirações diretamente de seu representante no parlamento. "Hoje tudo se resolve na comissão e na subcomissão de agricultura", afirmou o deputado (O Globo).