FREIRAS ACUSAM POLICIAIS DE TORTURAREM SUSPEITOS

Irmãs de caridade denunciaram ontem que policiais militares e civis torturaram suspeitos, no último dia 25, durante a Operação Rio nas favelas do Borel, da Casa Grande e da Chácara do Céu, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro (capital). Maria do Rosário Porto Santos e Teresa de Jesus Cavalheiro, freiras missionárias do Sagrado Coração de Jesus, que moram e trabalham no Morro do Borel, disseram ter visto um homem ser pisoteado e chutado no campo de futebol da Chácara do Céu e algumas pessoas serem afogadas e levarem choque numa caixa dágua de uma casa próxima à Igreja São Sebastião. As duas não presenciaram atos de violência praticados por soldados do Exército. Nos três dias de operação no Morro do Borel, o Exército prendeu 26 pessoas em flagrante, por porte ilegal de arma ou tráfico de drogas; apreendeu 2.151 cartuchos de diversos calibres; um pacote de um quilo e mais 276 papelotes de cocaína; um pacote de um quilo e mais 393 saquinhos de maconha; e 22 armas de fogo. Este foi o balanço divulgado ontem pelo porta-voz da Coordenação das Operações de Combate ao Crime Organizado no Rio (Operação Rio), coronel Ivan Cardozo. Além disso, foram apreendidos uniformes, um binócluo e até um pára-quedas de propriedade das Forças Armadas. O ministro do Exército, general Zenildo Lucena, considera "muito desgastantes", para o Exército, as operações nas favelas do Rio e já propõe mudanças no convênio entre estado e União para combate ao crime organizado, que expira dia 31 de dezembro e poderá ser renovado por mais seis meses. "Espero que, se for firmado um novo acordo entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Marcello Alencar, haja mais participação das polícias Federal, Civil e Militar. É preciso mudar os termos desse convênio. A função de combate à violência é delas. O Exército tem outra missão", disse (O Globo) (JB).