A juíza auxiliar da 1a. Vara de Menores do Rio de Janeiro, Katia Maria Monnerat Daquer, criticou o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e outras organizações não-governamentais (ONGs) que se dedicam à pesquisa nas áreas de crianças e adolescentes, preconceito racial e mulheres negras e de classes populares, mas não atuam objetivamente em nenhuma dessas áreas. "O assistencialismo não resolve a questão de menores de rua, mas até hoje também não vi nenhum projeto de pesquisa resolver o problema", afirmou. O administrador de empresas Ele Semog, presidente do CEAP, ONG que recebe verbas de entidades internacionais que chegam a US$160 mil, por sua vez, acredita que os projetos são a melhor forma de modificar a sociedade. Segundo ele, o programa para mulheres negras e de classes populares conseguiu provar que a esterilização em massa de mulheres não resolve o problema da miséria no país. "É uma forma de interferir na realidade mudando o cenário social", afirmou. Ele também acredita que o programa de crianças e adolescentes do centro possibilitou que o extermínio de menores no Brasil tomasse uma dimensão política e não fosse encarado apenas como uma consequ"ência da miséria. O próximo passo da entidade na área é tentar responsabilizar o Estado pelo extermínio de crianças. "Vamos provar que o número de crianças que se evadem das escolas é diretamente proporcional ao número de menores assassinados", disse. A juíza Katia Daquer acredita que os projetos não resolvem porque não há quem executá-los. "Apontar defeitos todos apontam, mas se cada um fizesse um pouquinho, ajudaria muito", afirmou (O ESP).