Impunidade no campo, nunca mais. Pela primeira vez, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão realiza, em parceria com entidades internacionais, um projeto que pretende provar definitivamente que a Justiça em casos de violência rural é relativa. Depende de quem for o agressor. Se a vítima estiver do lado dos lavradores, é lenta. Só é rápida quando a alegação for legítima defesa: o agressor é rapidamente julgado e absolvido, como ocorreu com os assassinos do lavrador Pedro Mota de Souza, morto em Coroatá, em 18 de novembro de 1987. Coordenado pelo assessor jurídico da CPT do Maranhão, o advogado José do Carmo Siqueira, o projeto se chama "Pesquisa e Acompanhamento Jurídico Criminal", e abrange 129 dos 270 crimes de morte ocorridos entre 1964 e outubro de 1994 no Maranhão. Os 129 casos foram selecionados porque os coordenadores acham que se pode chegar aos responsáveis pelos crimes ocorridos nos últimos 20 anos e que ainda não estão prescritos. As 129 vítimas eram trabalhadores rurais e seus aliados. Apenas três acusados foram julgados. Dos 12 "cabras marcados para morrer" atualmente no Maranhão, por conta de conflitos rurais, quatro são padres engajados na luta pela terra. Um deles é o coordenador da CPT no estado, o italiano Flávio Lazzarin, 47 anos, pároco de Alto Alegre (JB).