AS MUDANÇAS NO MERCADO DE TRABALHO

A necessidade de modernização, implantação de novas tecnologias e aumento da competividade e a abertura do mercado nacional obrigaram as empresas a buscar maior eficiência, promovendo reestruturações e enxugamento de seus quadros, para enfrentar os desafios da concorrência. Com isso, o desemprego na indústria deixou de ser sazonal, como era até 1989. As novas oportunidades migraram para outros setores, como o de serviços. Nas indústrias da capital paulista o nível de emprego encolheu nos últimos anos. Segundo um levantamento da Fundação SEADE/DIEESE, que tomou dezembro de 1985 como referência (base 100), o total de empregos na indústria paulista caiu 4,7%, oito anos depois de ter registrado evolução de 20,3% (em relação à mesma base), em setembro de 1986, durante o Plano Cruzado. Um quadro que não vem se alterando desde a chegada do real, como prova a taxa de desemprego, que se mantém no elevado patamar de 14,1% da população economicamente ativa. Estamos vivendo um período de desemprego de reconversão, resultado de um
83908 processo de renovação organizacional e tecnológica radical das empresas,
83908 que avançam na implantação de programas de melhoria da qualidade e aumento
83908 de produtividade, disse Antonio Prado, economista e coordenador de produção técnica do DIEESE. A reestruturação das empresas passa hoje também pela terceirização. "A abertura de mercado, em 1990, obrigou as indústrias a se dedicarem somente a suas atividades essenciais, para enfrentar a concorrência. Esse processo é irreversível", comenta Farid Chedid, diretor de Recursos Humanos da Rhodia (O Globo).