O Brasil não é mais prioridade na agenda internacional de cooperação dos países do Primeiro Mundo. Com isso, as organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras estão tendo de buscar recursos na iniciativa privada nacional para manter a execução de seus projetos. A maior parte da ajuda internacional das 16 maiores agências de cooperação não-governamental, por exemplo, está sendo destinada para Ásia e África. Os países da América Latina passaram para o segundo plano porque estão num estágio avançado de democratização e não apresentam níveis de pobreza tão assustadores como as cidades africanas. "Essa é a nova realidade", confessa Carlos Eduardo Monteiro, representante da Oxfam, entidade do Reino Unido, criada há 52 anos e que investe desde 1968 em entidades brasileiras. No ano passado, representantes das 25 maiores agências norte-americanas e européias de cooperação internacional se reuniram no Recife (PE) e decidiram que a atenção especial deveria ser dada, a partir daquele momento, para os países africanos e asiáticos. "Ficou decidido que o volume de recursos para as entidades brasileiras não seria diminuído, mas não ficou previsto nenhum tipo de aumento para os projetos em andamento", comenta Monteiro. A Oxfam patrocina atualmente 92 projetos nas regiões Norte e Nordeste na área de organização social, meninos de rua e na assistência direta a pequenos produtores. O volume de recursos da entidade para essas atividades não ultrapassa os US$2,1 milhões. No ano passado, a Oxfam conseguiu repassar para o Brasil mais de US$1 milhão obtidos junto à Comunidade Econômica Européia (CEE), que passa atualmente por séria crise financeira. A mudança da moeda brasileira e a sua diferença em relação ao dólar também contribuíram para que a maior parte dos recursos fossem desviados para outros países. Os representantes das ONGs nacionais estimam que a perda de recursos por causa da adoção do Plano Real seja cerca de 20%. O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), criado em 1981, administra US$3,12 milhões por ano e começou a intensificar a captação de recursos no mercado nacional. Do total de recursos disponíveis hoje na entidade, 27% foram obtidos de instituições brasileiras. "Foi a maneira que encontramos para contornar essas mudanças de interesse", explica Cândido Grzybowski, coordenador-geral do IBASE. A Fundação Ford, presente em 16 países, investiu US$5,5 milhões no período de outubro de 1993 a setembro deste ano, quando terminou o ano fiscal da entidade norte-americana. O dinheiro é repassado principalmente para centros de pesquisa. Esse volume de recursos não aumenta há dois anos, mas segundo os técnicos da entidade, Ásia e África estão recebendo o mesmo volume de financiamento (O ESP).