CARIOCAS QUEREM AÇÃO DO EXÉRCITO TAMBÉM EM 1995

A ampla maioria da população do Rio de Janeiro, 89%, deseja a manutenção dos militares no combate ao crime organizado no estado, segundo revela pesquisa Datafolha realizada no último dia 24 junto a 626 moradores da cidade. Apenas 7% dos cariocas dizem ser a favor da saída dos militares do Rio em 95. Outros 3% estão indiferentes sobre a questão e 2% disseram não saber responder. O apoio à permanência dos militares no ano que vem cresce de acordo com o local de moradia do entrevistado. Quem mora longe dos morros onde há favelas dá um apoio maior à permanência dos militares. Para 93% dos moradores que vivem longe dos morros, o Exército deve permanecer no Rio em 95. O percentual caiu para 80% entre entrevistados que moram em favela. Há uma variação de apoio também entre brancos, negros e mulatos. Para 90% da população branca do Rio, segundo a pesquisa, as tropas devem permanecer nas ruas da cidade. Entre os negros, o apoio é menor (82%). Para os mulatos, 89%. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, disse ver um "precedente perigoso" na permanência das Forças Armadas no combate à violência no Rio em 95, por temer que elas também sejam corrompidas pelo narcotráfico. No Peru, as Forças Armadas foram usadas no combate ao Sendero Luminoso e
83906 acabaram corrompidas pelo narcotráfico. Se chegarmos a isso, quem vai
83906 desarmar as Forças Armadas?, perguntou o sociólogo. Betinho defendeu uma reforma nas polícias Civil e Militar, como opção à continuidade da ação do Exército contra a violência no Rio. "Manter as Forças Armadas é a solução mais fácil, mas não é a melhor, pois assim damos a elas um papel que difere de sua tarefa primeira, que é a segurança nacional", disse Betinho. Para ele, o resultado da pesquisa do Datafolha é "natural" e revela "um suspiro de desafogo da população". Ele avaliou também que o resultado mostra a crença da população nas Forças Armadas como um último reduto do poder policial não corrompido, em oposição às polícias Civil e Militar. Betinho também está preocupado com os excessos que possam ser cometidos na Operação Rio. "Se aceitarmos prisões sem flagrante nem mandado, estaremos criando regime de exceção para uma determinada camada social". O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Sérgio Zveiter, disse esperar que o estado retome "suas obrigações" para fazer com que as Forças Armadas possam ser retiradas das funções policiais. Para ele, a atuação das Forças Armadas no Rio foi provocada por uma situação excepcional marcada pela ineficiência do governo estadual no combate à criminalidade (FSP) (O Globo).