O governador eleito do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT) tem, desde ontem, um sério problema a resolver: explicar aos militantes radicais do partido por que aceitou duas doações de empreiteiras, uma no valor de US$200 mil-- da Norberto Odebrecht--, e outra no valor de R$200 mil-- da Via Engenharia. A Odebrecht faz parte do consórcio que constrói o metrô de Brasília, obra de mais de US$600 milhões, iniciado no governo Joaquim Roriz (PTB) e que já está com os pagamentos atrasados. Com uma dívida de aproximadamente US$100 mil, o coordenador da campanha do PT no DF, Hélio Doyle, recebeu o cheque nominal da Odebrecht no dia 14 de novembro, um dia antes da votação do segundo turno. A doação foi mantida em segredo até o último dia 21, quando o tesoureiro da campanha, Amauri Barros, fez uma prestação de contas durante reunião da Executiva do PT local. A discussão interna veio a público ontem através de reportagem do jornal Correio Braziliense. A explicação do coordenador e do tesoureiro, de que a empreiteira recebeu os bônus correspondentes ao cheque da doação, não acalmou a ala mais radical do partido. O governador eleito só soube da doação no dia 21. Nas discussões internas, ele aprovou a doação. "Foi uma operação transparente, que não acarretará nenhum tipo de privilégio à empresa", disse Buarque. Na reunião do dia 24, o diretório condenou a doação, mas aprovou, também, a não-devolução do dinheiro (FSP).