POBREZA DIMINUI NA AMÉRICA LATINA

Argentina, Bolívia, Chile, México, Uruguai e Venezuela foram os únicos países latino-americanos que conseguiram reduzir os índices de pobreza entre 1990 e 1992, segundo o relatório "Panorama Social da América Latina", divulgado ontem pela CEPAL e pelo UNICEF. Gert Rosenthal, secretário-executivo da CEPAL, alertou que estes avanços não foram consequ"ência de políticas de redistribuição de renda, mas de políticas econômicas que aumentaram a renda dos setores mais pobres. Ele assinalou que estes índices são encorajadores porque revertem as grandes perdas sofridas pelos latino-americanos nos anos 80 e, na verdade, representam apenas um possível começo de recuperação regional. O relatório afirma que a ocorrência simultânea de altas taxas de crescimento, de queda da inflação e de aumentos de salários são os fatores estratégicos essenciais para se reduzir a pobreza na região. O quadro geral da América Latina, segundo a CEPAL, não se alterou de maneira significativa, mostrando a Incidência de segmentos de grande dinamismo combinados com um alto grau de exclusão de vários extratos sociais". Daí a redução apenas modesta nos seis países assinalados, de quatro a seis pontos percentuais nos índices de pobreza e de cinco pontos nos níveis de indigência, enquanto o resto da América Latina manteve invariáveis as grandes diferenças sociais. O diretor da Divisão Social da CEPAL, Rolando Franco, afirmou que no período assinalado houve esforços positivos em termos macroeconômicos, mas assinalou que o combate à pobreza exige uma política específica. Franco disse que o desenvolvimento regional está "acentuando o caráter assalariado do emprego urbano, a redução da população rural e a queda de empregos públicos". O relatório da CEPAL, feito em conjunto com o UNICEF, tem indicadores preocupantes sobre educação e família. Pelo menos 30% dos jovens com idades entre 13 e 17 anos trabalham fora na América Latina e 75% deles não estudam mais. Muitos desses jovens são filhos de mães solteiras ou não contam com o pai em casa ou então pai e mãe tem ocupações que dão renda mínima e incerta. Na grande parte das famílias, todos são obrigados a trabalhar para garantir um nível mínimo de sobrevivência. Cristina Gonçalves, representante do UNICEF, afirmou que os serviços essenciais da América Latina como um todo continuam a funcionar precariamente, espescialmente nos setores de saúde e habitação. A educação e a seguridade social apresentaram algumas melhorias (JB).