Os chanceleres dos quatro países do MERCOSUL decidiram reagir com firmeza contra o novo sistema geral de preferências nas importações, que começa a ser discutido pelo Conselho de Ministros da União Européia (UE). As mudanças em análise poderão excluir o MERCOSUL do grupo de países em desenvolvimento que se beneficiam de facilidades na colocação de seus produtos no mercado europeu. Ontem, em Bruxelas, os quatro chanceleres do MERCOSUL se reuniram com o presidente da UE, Jacques Delors, para iniciar o diálogo sobre o futuro estabelecimento de uma zona de livre comércio entre os dois blocos. Mas, segundo o chanceler brasileiro, Celso Amorim, a reforma do sistema de preferências da UE, que implicaria a redução de mercado para produtos do MERCOSUL, "pode diminuir a credibilidade do processo que estamos iniciando" para a integração dos dois blocos. "Este é um ponto importante em que não se pode dar um passo atrás", disse ele. Na reunião com Delors, os chanceleres do MERCOSUL também deixaram claro que, nas negociações para a formação da zona de livre comércio, a questão da agricultura, extremamente protegida pelos europeus, terá de ser discutida. A negociação entre UE e MERCOSUL deverá começar oficialmente em fevereiro de 1995, e seu formato inicial será discutido durante a reunião do Conselho Europeu em Essenna, Alemanha, na segunda semana de dezembro. Essa reunião irá sancionar a proposta da Comissão Européia de se firmar a curto prazo um acordo inter-regional de cooperação comercial e econômica, tendo em vista uma futura zona de livre comércio entre os dois blocos. A aproximação dos países do MERCOSUL com a UE não vai servir para o aumento das exportações de produtos agropecuários para o mercado europeu. A integração pretendida pela UE prevê a criação de uma zona de livre comércio, a longo prazo, para facilitar o intercâmbio de produtos industriais e serviços. Assuntos como o fim das barreiras tarifárias estão fora da agenda dos países europeus, que ainda querem rever o déficit comercial com os latinos (GM) (JB).