EXÉRCITO TEM ORDEM PARA NÃO REVISTAR CRIANÇAS

As crianças não deverão mais ser submetidas a revistas pelas tropas do Exército, como vinha acontecendo nas operações contra o crime organizado nos morros do Rio de Janeiro (RJ). A nova orientação foi divulgada ontem pelo porta-voz da Operação Rio, coronel Ivan Cardozo. "Não queremos provocar qualquer tipo de constrangimento às crianças", disse o porta-voz. No começo da semana, soldados revistaram vários estudantes, com idades entre nove e 12 anos, nas imediações do Morro Dona Marta, em Botafogo, na zona sul da cidade. O porta-voz negou as denúncias feitas por entidades ligadas aos direitos humanos, segundo as quais o Exército teria cometido irregularidades em suas ações nos morros do Rio. Segundo Cardozo, o Exército está contando desde ontem com o apoio de defensores públicos para provar que não há qualquer tipo de discriminação racial ou
83850 social. Durante as operações, no entanto, os soldados procuram revistar pessoas negras e que não estejam bem vestidas. Na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na zona sul, os soldados não abordaram os donos de carros de luxo nem pessoas que informavam morar em prédios das proximidades. Na maior operação realizada até agora, cerca de mil soldados do Exército ocuparam ontem todos os acessos das favelas que compõem o Complexo do Alemão (zona norte do Rio). A área é considerada um dos pontos onde há maior comércio de drogas na cidade. O tráfico é controlado por Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. O Complexo do Alemão é formado por 10 favelas, nos bairros de Bonsucesso, Olaria, Ramos, Penha e Inhaúma. A população estimada é de 250 mil habitantes. No acesso a favela Nova Brasília, seis pessoas foram presas por falta de documentos (O ESP) (FSP) (O Globo).