GENERAL FALA SOBRE A OPERAÇÃO RIO

O comandante da campanha contra o crime organizado no Rio de Janeiro, general Câmara Senna, disse ontem que a prioridade da Operação Rio é o combate às redes de distribuição de drogas, serviço que será feito através de investigação e cerco nas divisas do estado e fronteiras do país. "As operações nos morros representam 10% ou 20% do total da ação", acrescentou o general. Segundo ele, as Forças Armadas vão intensificar em caráter definitivo o controle das fronteiras e também dos portos e aeroportos do Rio, independente do término do convênio assinado entre os governos federal e estadual para o combate à criminalidade no estado. As declarações de Câmara Senna foram feitas, no Comando Militar do Leste (CML), a integrantes do Movimento Viva Rio que o procuraram para conhecer o plano. Segundo o coordenador do Viva Rio, antropólogo Rubem César Fernandes, o general anunciou que o Ministério da Justiça liberou R$40 milhões para os órgãos de segurança envolvidos na Operação Rio, dos quais R$10 milhões irão para a polícia fluminense. De acordo com os integrantes do Viva Rio, o general mostrou-se preocupado com a grande expectativa que as operações nos morros têm gerado na população. O general concordou que, sem o controle das fronteiras e um eficiente trabalho de inteligência, o tráfico de drogas no Rio pode caminhar para uma cartelização semelhante à de Medellín, na Colômbia. Ele nos deixou claro que as ações nas favelas são um trabalho de curto
83842 prazo. Não haverá o Dia D, a batalha final contra o tráfico. A
83842 prioridade no combate ao crime não são as ações visíveis, mas um
83842 trabalho de investigação para identificar os traficantes do asfalto; um
83842 trabalho de longo prazo, disse Rubem César. O Viva Rio conseguiu com o general a inclusão de defensores públicos no Batalhão de Polícia do Exército, para dar assistência às pessoas presas nas operações militares. Além disso, o movimento também criou um serviço jurídico para atender os moradores das favelas, que será coordenado pelo advogado Ernan Mafra Caldeira de Andrade (JB).