Os preços de vendas de terras no meio rural apresentam neste ano aumentos generalizados. No primeiro semestre de 1994, as cotações da terra destinada a lavouras tiveram incremento de 23,6% na média brasileira, em comparação com os últimos seis meses de 1993. O hectare atingiu R$1.303,92, face os R$1.055,04 anteriores (valores de julho último). Enquanto isso, nas áreas de pastagens, a alta foi de 26,3%, com o hectare de terra subindo de R$602,46 para R$760,72, na média nacional. As constatações são da pesquisa sobre Preços de Terras do Centro de Estudos Agrícolas (CEA), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada com base em coletas de campo até junho último. A especialista do CEA, Maria José Cyhlar Monteiro, explica, contudo, que por trás desta valorização do mercado de vend de terras estão as incertezas vividas em um período pré-eleitoral e pré-Plano Real. "Num ambiente com tamanhas indefinições, a terra, como alternativa de investimento, assume papel de maior relevância", destaca ela, referindo-se à maior demanda por aquisição de terras como reserva de valor. As mesmas incertezas observadas no primeiro semestre do ano explicam também o comportamento dos preços dos arrendamentos de terras rurais, que apresentaram uma queda de 2,2%, no caso das lavouras, ou de 2,1% para a estada ou engorda de animais. Pelos levantamentos do CEA, o hectare da terra arrendada para lavoura, pelo prazo de um ano, caiu para R$81,51, ao final do primeiro semestre de 1994. No período anterior ele custava R$83,31, na média Brasil. Da mesma forma, a terra alugada para a engorda de animais caiu de R$3,36 para R$3,33 por cabeça por mês, refletindo, ainda, uma queda na demanda da atividade, em razão dos baixos preços, praticados até meados do ano, do boi gordo para corte em nível de produtor (GM).