O Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA), vinculado ao Ministério do Bem-Estar Social, destinou até outubro último mais de R$4,6 milhões às Organizações Não-Governamentais (ONGs) ligadas à assistência ao menor carente. Outros R$4,5 milhões foram distribuídos a estados e municípios para a mesma finalidade. Boa parte acabou nas mãos das ONGs por meio dos chamados convênios guarda-chuva-- a entidade pública recebe a verba e a distribui para várias outras encarregadas da execução dos programas sociais. O CBIA não tem idéia de como os recursos foram aplicados, nem sabe se a forma de atuação das instituições está sendo eficaz, porque há dois anos não realiza auditoria geral, nem exerce fiscalização. Seguimos as normas do Tribunal de Contas da União (TCU) e confiamos na
83831 seriedade das entidades com as quais trabalhamos, resumiu a presidente do órgão, Regina Bertulli. A última grande auditoria realizada no CBIA comprovou que, na gestão da ex-presidente Fátima Borges (1990-1992), 40% dos recursos da entidade foram desviadas por meio de ONGs inidôneas. A mais célebre delas era a Associação Pró-Carente de Canapi (AL), criada e dirigida por familiares da ex-primeira-dama Rosane Collor. A entidade, que sequer tinha sede, desviou cerca de US$1,2 milhão da LBA e do CBIA. O orçamento do CBIA para 1994 prevê gastos globais de R$96,6 milhões, mas só R$44,7 milhões serão gastos até o fim do ano. Os R$52 milhões restantes serão esterilizados por não terem sido gastos no exercício (O ESP).