CONFERÊNCIA PROPÕES ESTRATÉGIA ANTICRIME

A identificação dos grupos empresariais que aplicam o dinheiro do crime, um acordo para identificar as pessoas que movimentam milhões de dólares sem ter como justificar, o sequ"estro dos bens adquiridos com o dinheiro do crime e o congelamento das fortunas conseguidas pelos criminosos são alguns dos pontos aprovados ontem no último dia da conferência mundial promovida pela ONU sobre o crime organizado, em Nápoles (Itália). Num documento de 12 páginas, a Carta de Nápoles, nenhum país foi citado. Mas, durante os três dias de trabalho, os representantes dos 140 países analisaram os diversos setores do crime organizado no mundo, como a Yakuza, do Japão, a Camorra e a Cosa Nostra, da Itália, os cartéis de Cali e Medellín, da Colômbia, as máfias russa, francesa, chinesa, nigeriana e também o crime organizado brasileiro, citando o caso dos bicheiros. A Carta de Nápoles, que esboçou um plano de ação internacional para o combate ao crime organizado, deverá ser submetida à Assembléia Geral da ONU, a ser realizada no ano que vem. Os participantes do congresso aprovaram também a criação de um fundo para as Nações Unidas, destinado ao combate ao crime organizado. O principal ponto do documento aprovado ontem é a cooperação internacional na área técnica-jurídica e tecnológica, além da colaboração econômica. Outra decisão foi a formação de uma equipe para estudar a criação de um centro internacional de formação de especialistas em aplicação de leis e administração da justiça penal (O ESP) (O Globo).