GENERAL ADMITE EXCESSOS EM OPERAÇÃO NO RIO DE JANEIRO

O general Câmara Senna, comandante da operação de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro admitiu ontem em reunião com seis vereadores da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio que os generais do tráfico de drogas estão em Miami (EUA) e na Europa e que apenas os "sargentos, cabos e soldados" do crime estão nas favelas. Câmara Senna, segundo os vereadores, disse ainda que "os oficiais intermediários" do crime seriam pessoas públicas, conhecidas, mas que o serviço de inteligência do Exército ainda não dispõe de dados suficientes para incriminá-los. Aos vereadores que foram reclamar do comando da operação de arbitrariedades contra moradores de favelas, Câmara Senna reconheceu que alguns excessos foram cometidos. O vereador Chico Alencar (PT) copiou na agenda as respostas do general, que, segundo afirmou, disse textualmente: Infelizmente, alguns direitos constitucionais serão prejudicados.
83816 Reconheço que está havendo cerceamento de liberdades. Não somos um
83816 batalhão de assistentes sociais. É impossível evitar um ou outro
83816 excesso. É preciso às vezes ser duro, ríspido, na ponta da linha. Somos
83816 preparados para a guerra e não pedimos para entrar nessa. Os vereadores não ficaram satisfeitos com as explicações do general. Segundo Chico Alencar, a comissão continua preocupada com a prisão indiscriminada de suspeitos e com a falta de condições para prender os principais chefões do tráfico (O Globo) (JB).