Cooperativismo de todo o mundo, organizados por intermédio da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), com sede em Genebra (Suíça), vão promover uma revisão dos princípios que norteiam o setor, os quais devem ser confirmados em um congresso em Manchester (Inglaterra) no próximo ano. As reformas ocorrem em função, principalmente, da ameaça de "crise de identidade", que ronda o setor. Isto porque a atual economia mundial apresenta novos rumos e conceitos (globalização, formação de blocos econômicos e fracasso do socialismo), e o cooperativismo não poderia ficar à parte dessas transformações sócio-econômicas. Nos últimos 30 anos, o cooperativismo sempre soube enfrentar pressões com soluções equilibradas, nem exclusivamente capitalistas mas também não totalmente socialistas. A fórmula, porém, esgotou-se. Esta semana, o comitê da ACI para as Américas, composto por cerca de 150 pessoas, entre dirigentes e delegados, reuniu-se em São Paulo (SP), para marcar posição em relação às reformas. O encontro mostrou que há falta de negócios no comércio externo entre cooperativas, que contrariam a tendência de mercados globalizados. Segundo cálculos de Roberto Rodrigues, vice-presidente da ACI para as Américas, as transações comerciais entre países do MERCOSUL movimentaram cerca de US$4 bilhões em 1990 e, no ano passado, a cifra subiu para US$10 bilhões. "O comércio entre cooperativas dos países do MERCOSUL, porém, não apresentou crescimento proporcional", lamenta. No mercado interno, especificamente no caso brasileiro, os negócios entre cooperativas são representativas-- movimentam anualmente cerca de 40% do PIB Agrícola do país, estimado em US$50 bilhões--, mas há casos em que o potencial não é totalmente explorado. A Eximcoop, sociedade anônima que agrega 10 cooperativas brasileiras, por exemplo, exportou cerca de um milhão de toneladas de soja e derivados no ano passado. Caso houvesse maior participação e interesse, o volume exportado poderia ser maior e "as cooperativas brasileiras até poderiam incluir nas cotações do produto na Bolsa de Chicago", diz Rodrigues (Agrícola-O ESP).