MÁFIA ESTARIA AMPLIANDO AÇÃO NO BRASIL

A Máfia não se limita mais a usar o Brasil como esconderijo ou para lavar dinheiro, e estaria ampliando sua ação no país, adotando técnicas usadas na Itália para extorquir dinheiro e traficar drogas. A denúncia, feita ontem na Conferência Internacional sobre Criminalidade Organizada, que a ONU realiza em Nápoles (Itália), é de um dos maiores especialistas em assuntos de Máfia, o sociólogo e deputado italiano Pino Arlacchi. Segundo ele, um grande número de mafiosos sicilianos estão agindo no Brasil. Arlacchi chama a atenção para o que ele considera o maior perigo oferecido pela Máfia hoje: o enorme poder econômico e o controle sobre o sistema financeiro. Ele acredita que a lavagem de dinheiro sujo da Máfia é uma ameaça ao sistema financeiro internacional. Em sua intervenção na Conferência, o ministro da Justiça do Brasil, Alexandre Dupeyrat, apoiou as propostas já apresentadas de controle internacional do tráfico de drogas e de armas. Ele também propôs maior cooperação financeira para diminuir as desigualdades sociais nos países em desenvolvimento. Durante a Conferência, delegados dos colombianos confirmaram que o Brasil está deixando de ser o principal canal de passagem da cocaína em direção à Europa. Eles afirmam que o Cartel de Cáli está optando por outras rotas, como a Argentina, hoje menos vigiada. O Parlamento Latino-Americano propôs um tratado multilateral contra a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. O documento foi elaborado por um grupo de legisladores de países latino-americanos e cria elementos jurídicos e técnicos para detectar mais facilmente o dinheiro sujo. Segundo dados da ONU, o Império do mal", como são denominadas as máfias, fatura anualmente US$750 bilhões e conta com um exército de 350 mil pessoas. Na Colômbia, predominam os cartéis, que controlam entre 70 e 80% do mercado mundial de cocaína, o que em 1992 lhes rendeu US$6,250 bilhões de lucros (O Globo) (GM).