O mercado cultural está aquecido. O boom ultrapassa os 100%. A causa do fenômeno é atribuída ao Plano Real e acabou reproduzindo uma euforia que a indústria cultural não vivenciava desde o Plano Cruzado, no governo Sarney. "Estou no ramo há mais de 30 anos e nunca existiu um período tão bom", diz Manuel Camero, presidente da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco). A euforia tem motivo. Desde 1989, o mercado fonográfico estava em recessão. Dados comparativos entre os meses de setembro de 1993 e 1994 atestam a recuperação. O número de LPs vendidos aumentou 113%, o de fitas cassetes, cresceu 149%, e a venda de CDs saltou 164%. "O plano favorece o consumo", avalia Camero. No mercado editorial, a Fundação João Pinheiro, em Belo Horizonte (MG), fez uma pesquisa por amostragem que constatou o crescimento do setor de obras gerais (tudo aquilo que não é religioso, técnico ou didático). É uma comparação entre os terceiros trimestres de 93 e 94. "O faturamento cresceu 206% e a vendagem aumentou 178%", afirma a pesquisadora Marta Oliveira. A indústria cinematográfica vive uma euforia semelhante. A média de público ficou estável desde 1989. "Depois do Real, a partir de julho, o crescimento da receita oscilou entre 20% e 21%. E o de público entre 10% e 11%", estima Jorge Pellegrino, presidente do Sindicato de Distribuidores. A estimativa de público no ano passado foi de 70 milhões. E a expectativa para 94 é de 80 milhões. Igual ao mercado francês. A diferença é que lá o preço do ingresso é maior", compara (Ilustrada-FSP).