ONGs BRASILEIRAS POSSUEM MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA

As Organizações Não-Governamentais (ONGs) brasileiras possuem mão-de- obra altamente qualificada, conforme levantamento feito em 1992 pelo Instituto Superior de Estudos Religiosos (ISER) junto a 132 entidades. Dos 80 mil "ongueiros", segundo o levantamento do ISER, 69,6 mil ou 87% do total têm curso univesitário. "Nenhum outro órgão consegue reunir um grupo tão seleto e tão bem preparado", diz o engenheiro Guilherme Camargo, membro do Conselho Brasileiro de Estudos Estratégicos (CBEE) e ligado à Associação Brasileira de Energia Nuclear. Pelo mesmo estudo, a grande maioria-- 60,8 mil ou 76% do total-- vive do trabalho nas ONGs e mais da metade-- 56% ou 44,8 mil-- trabalha em mais de uma ONG. "Essas entidades empregam boa parte da elite intelectual brasileira", comenta Camargo. Mas também existe o caminho contrário. Estrangeiros empolgados com a "excentricidade e complexidade brasileira" desembarcando no país para abraçar causas em defesa das tartarugas, floresta amazônica ou menores abandonados. Acabam seduzidos pelas informações que recebem do país obtidas junto a entidades financiadoras de programas. "Esse universo é curioso, mas ainda desconhecido", afirma o sociólogo Ivo Menkes, que prepara um estudo sobre a influência das ONGs junto às populações carentes. Para ele, esse poder de sedução, principalmente junto ao público jovem, é um fenômeno que ainda não começou a ser estudada. "O processo de organização da sociedade atrai muitas pessoas, mas esse contingente aumenta se existe dinheiro permeando essas relações", comenta. Segundo a pesquisa do ISER, as 132 entidades pesquisadas atuam em: ecologia (40%), movimentos populares (17%), direitos da mulher (15%), questão racial (11%), crianças carentes (6%), AIDS (3%), índios (1%), outras (7%). O perfil dos ongueiros é: 80 mil brasileiros são ligados a ONGs; 87% fizeram um curso universitário; 76% vivem do trabalho nas ONGs; 75% votaram em Lula para presidente no 1o. turno em 1989; 56% trabalham em mais de uma entidade; 53% dos que trabalham em ONGs não têm religião; 25% dos ongueiros são padres ou religiosos; 21% fizeram ou estão fazendo filosofia; 14% se diziam marxistas nos anos 70 (O ESP).