EXÉRCITO DIZ QUE PRENDEU QUATRO LÍDERES DO TRÁFICO

O Exército retirou na tarde de ontem as tropas do morro da Mangueira (zona norte do Rio de Janeiro), 36 horas depois de mobilizar mais de 800 homens e nove tanques de guerra. O morro do Dendê, na Ilha do Governador (também na zona norte), continua ocupado. O Comando Militar do Leste (CML) anunciou que foram presos quatro líderes do tráfico na Mangueira. Um deles é tratado pelos militares como um dos maiores traficantes do Rio. Apesar de o CML ter informado que a vigilância da favela seria entregue à Polícia Militar, depois das 16h não havia mais policiamento. O Exército proibiu a imprensa de acompanhar as ocupações e não revela os nomes de todos os detidos. Pelo menos 186 pessoas foram detidas na ocupação dos morros da Mangueira e do Dendê. Pelo menos 19 pessoas continuam presas porque estavam com armas ou drogas. Participaram 1.400 homens do Exército e das polícias Militar e Federal. Foram feridos a bala um morador e um soldado. O CML diz que apreendeu R$8.535,00 que seriam de traficantes, 12 armas, maconha e cocaína. Em desafio ao Exército, os traficantes da Mangueira comemoraram ontem com fogos de artifício a total retirada das tropas que ocupavam o morro desde a madrugada do dia 19. O foguetório durou dois minutos e começou 13 minutos depois da saída do último ônibus com soldados da Polícia do Exército. Antes mesmo da retirada, "olheiros" do tráfico já circulavam pela favela, ameaçando jornalistas que tentavam subir à parte alta do morro. A primeira vítima da ocupação do morro do Dendê não foi um traficante nem um fuzileiro naval. O pedreiro José Luís Nunes Sobrinho, de 35 anos, morador da favela, foi atingido por um tiro de metralhadora 1.50 no braço esquerdo ontem de manhã, quando ia comprar pão. A arma disparou acidentalmente quando ele passava em frente a uma das barricadas montadas, a cerca de 250 metros de sua casa. A bala atingiu o seu cotovelo, provocando fraturas múltiplas e perda de massa muscular. Ele foi operado no Hospital Souza Aguiar e corre o risco de ter o braço amputado. A operação desencadeada neste final de semana demonstrou que mesmo os militares não estão tão bem preparados a ponto de impedir acidentes. No dia 19 à noite, um soldado do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foi ferido por um disparo acidental de um recruta do Exército. Ontem de manhã, um fuzileiro naval que participava da ocupação do morro do Dendê se feriu no pé com sua própria arma (FSP) (O Globo).