O custo da máquina administrativa do governo consumiu este ano, até o início de novembro, mais dinheiro do que cinco ministérios conseguiram gastar em conjunto. Enquanto o governo como um todo gastou R$661,9 milhões com despesas administrativas e de manutenção, os ministérios da Cultura, do Meio Ambiente, do Bem-Estar Social, da Ciência e Tecnologia e da Integração Regional aplicaram em seus programas R$636,9 milhões. O pagamento de passagens aéreas e diárias (R$190,6 milhões) custou ao governo mais do que todo o Ministério da Integração Regional (R$124,1 milhões). Com a limpeza e a vigilância de seus prédios (R$41,4 milhões), o governo gastou mais do que aplicou em cultura (R$36,6 milhões). E com água, esgoto e eletricidade (R$90,8 milhões), praticamente o mesmo que destinou ao meio ambiente (R$94,5 milhões). As despesas bancárias (R$129,1 milhões) superam os gastos com o bem-estar social (R$96,9 milhões). E só com o pagamento de sentenças judiciais, fruto de decisões administrativas equivocadas, já foram gastos mais de R$100 milhões. Os dados foram extraídos pela assessoria do deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF) diretamente do Sistema de Informática do Tesouro Nacional (Siafi). "Se a União reduzir em 20% o que gasta com passagens e diárias, poderá dobrar o dispêndio com a área cultural do país", observa Carvalho. O estudo do perfil de gastos do Tesouro revela outras surpresas. Por exemplo, depois do Executivo, que responde por quase a totalidade das despesas feitas até o início de novembro-- R$120 bilhões, de um total de R$121,7 bilhões-- o maior gastador é o Judiciário (R$1 bilhão), e não o Legislativo (R$381 milhões). E no Judiciário, a campeã de despesas é a Justiça do Trabalho, que consumiu até agora 65% do orçamento da Justiça do país. A folha de pessoal, que soma R$15 bilhões até novembro, não pode ser apontada como responsável pelo desequilíbrio das contas públicas. Quase quatro vezes mais (R$56,4 bilhões) foram gastos com as dívidas interna e externa. O deputado Augusto Carvalho propõe para o governo uma espécie de contrato de gestão, semelhante ao feito com algumas estatais. Por esse contrato, cada burocrata responsável por autorizações de despesa seria obrigado a cortar um determinado percentual, sob pena de sanções administrativas. Com isso, aposta o deputado, sobraria dinheiro para despesas essenciais e melhoraria sensivelmente a qualidade dos gastos (O Globo).