REAJUSTES SALARIAIS APÓS O REAL

Pelo menos 34 categorias já tiveram reajustes salariais após o real, 10 das quais fora da data-base. Com perdas acumuladas em URV, os sindicatos e empresas de todo o país buscaram fórmulas de compensação: aumentos reais, por produtividade, abonos, antecipações, reposições. Valeu tudo neste semestre. Levantamento feito a partir de notícias de jornais pelo DIEESE mostra que o IPC-r, o índice oficial de correção dos salários, foi apenas uma referência para negociações. Desde julho, a dança de índices ocorre independentemente do governo. No primeiro mês do real, reajustes entre 0,47% e 10% foram acompanhados de antecipações e aumentos reais. Os empregados da cervejaria Kaiser, por exemplo-- os primeiros a conseguir reajuste-- tiveram a correção de 0,47%, 8% de aumento real e 6,08% de antecipação. Os trabalhadores em empresas de material plástico do Rio Grande do Sul negociaram na data-base, além de 9% de reajuste, antecipações salariais correspondentes a 90% do IPC-r. Nos meses seguintes, os índices cedidos foram cada vez maiores. Em setembro já chegavam a 20%, 30%, por conta de adiantamentos da inflação futura. Os têxteis de Caxias do Sul (RS) conseguiram na data-base, em outubro, 30% de reajuste sobre os salários de março e antecipações correspondentes a 70% do IPC-r do bimestre seguinte. Os aumentos reais foram negociados para 17 categorias. Receberam abono 12 categorias (O ESP).