ACORDO DE TARIFAS COM A ARGENTINA

O ministro da Fazenda, Ciro Gomes, disse ontem que o encontro que manteve no último dia 18 com o ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, em São Paulo (SP), não deixou nenhuma aresta sobre a discussão a respeito do acordo de tarifas do MERCOSUL. Ciro disse que os pontos de divergência foram mastigados à exaustão até se chegar a um consenso em todos eles, sem exceção. "O que resta agora é colocar no papel tudo o que foi acertado", disse. Uma das principais decisões da reunião diz respeito ao setor automobilístico, segmento onde a Argentina mantém uma espécie de reserva de mercado que obriga que os carros montados no país tenham, pelo menos, 60% de suas peças fabricadas internamente. Na reunião, porém, ficou decidido que as autopeças brasileiras serão consideradas nacionais para efeito de composição dos 60%. Além disso, o governo argentino mantém um incentivo às exportações que determina que para cada dólar exportado haja uma contrapartida em importação não taxada. Segundo Ciro Gomes, isso cria uma vantagem competitiva muito especial para a Argentina. Ficou decidido também que este regime de equilíbrio de divisas, como é chamado, deverá ser gradualmente desmontado para os países do MERCOSUL. Com relação ao trigo, Ciro disse que antes de assumir o ministério já havia um acordo de taxação das importações do produto em 10%, com exceção do trigo vindo da Argentina, e que este compromisso será honrado a partir de janeiro (JB) (O ESP).