A Central Única dos Trabalhadores (CUT) teve, no período de junho a outubro deste ano, uma receita de R$824,8 mil. As despesas, no mesmo período, somaram R$1,3 milhão. Preocupada com os sucessivos déficits, a CUT formou uma comissão para se reestruturar. O objetivo é adequar a receita às despesas, diz o presidente da entidade, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. Uma das propostas de reestruturação da CUT, além da redução de gastos, é o aumento da contribuição dos sindicatos associados. "Hoje essa contribuição é de 5%", diz Vicentinho. O plano é aumentá-la gradativamente a partir do próximo ano para 8% até alcançar 10%. Outra proposta de reestruturação da CUT é reduzir o déficit através do combate a sonegação dos associados. Os sindicalistas não podem falar de combater a sonegação no país se não acabar com ela no seu próprio meio, observa Vicentinho. Segundo estudos da central, apenas 40% dos associados pagam suas contribuições em dia. Cálculos da CUT mostram que os sindicatos deixaram de pagar de junho a outubro, R$1,1 milhão. A arrecadação total do sistema deveria ter somado R$3,12 milhões, mas chegou só a R$2,03 milhões, dos quais 25% vão para a CUT nacional, explica Vicentinho. Depois de 13 anos sem bater cartão, o presidente da CUT vai voltar a trabalhar na fábrica. No dia 1o. de dezembro ele volta a ocupar o cargo de inspetor de controle de qualidade da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), onde começou a trabalhar em 1978 e saiu em 1981 para desenvolver atividades sindicais. Em dezembro ele vai trabalhar apenas um dia. Volta em janeiro-- de 16 a 20-- e pretende trabalhar sempre um período por mês. "Pretendo me reciclar e acompanhar a evolução industrial de perto", diz Vicentinho, garantindo que vai trabalhar como os peões. E afirma que não vai desenvolver atividades sindicais dentro da fábrica. "A não ser que, numa assembléia, me convidem para dar uma palavrinha", brinca (FSP).