O número de crianças nas ruas do Rio de Janeiro (RJ) ainda é um mistério para as entidades oficiais. No início do ano, técnicos do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) contaram 680 crianças e adolescentes dormindo nas ruas. Um trabalho superficial, mas importante para mostrar que o problema ainda pode ser controlado com projetos sistemáticos de assistência. "A grande dificuldade agora é desenvolver um trabalho para que novas crianças não saiam de suas casas e deixem a situação mais crítica", diz o antropólogo Rubem César Fernandes, do Movimento Viva Rio. Faltam dados mais precisos sobre essa população e ainda estão em fase embrionária os projetos oficiais para atender os menores de rua. As mudanças do Estatuto da Criança e do Adolescente, que entrou em vigor em outubro de 1990, podem ser sentidas em alguns estados, como em São Paulo. Mas no Rio parece ser ainda uma realidade distante. Estado e prefeitura passaram anos discutindo a quem pertencia o "problema". Enquanto isso, mais menores passaram a ocupar as calçadas. O trabalho alternativo de assistência passou a ser feito por entidades não-governamentais. Até o ano passado, mais de 15 entidades desenvolviam trabalhos sistemáticos nas ruas. Hoje, esse trabalho é feito por apenas cinco entidades. Os organismos internacionais decidiram investir na Ásia e África e
83717 estamos trabalhando para continuar com o nosso trabalho no próximo ano, diz a assistente social Sheila Nogueira, do Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (CBDDA), criado em 1987 e que mantém 20 técnicos. O trabalho sobre saúde e educação com os menores foi ajudado este ano pela Anistia Internacional. "As pessoas precisam se conscientizar e ajudar a resolver essa questão em conjunto", comenta Sheila, que coordena os trabalhos na região central. Por semana, são atendidos 150 menores de rua. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social decidiu entrar na batalha para suprir a carência de projetos oficiais para esse público. O estado ficou responsável pelos menores infratores. A secretária Wanda Engel Aduan assinou convênios com a iniciativa privada, ONGs, igreja e entidades assistenciais para colocar em prática o projeto "Vem pra casa criança!". O ritmo de vida das cerca de 150 crianças e adolescentes que perambulam pelas ruas do centro do Rio, principalmente nas imediações da Cinelândia, retrata a rotina dos menores que são obrigados a conviver diariamente com o medo, violência e morte. Sobrevivem com pequenos furtos e, de longe, identificam suas vítimas (O ESP).