A não inclusão do mogno brasileiro no Apêndice II da Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies Ameaçadas (Cites), decidida na reunião de Fort Luderdale, EUA, fará com que as organizações não- governamentais (ONGs) internacionais que apoiaram a proposta da delegação da Holanda adotem posições radicais contra a comercialização da madeira no mercado internacional. O diretor do Programa Amazônia da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, anuncia que os ambientalistas iniciarão campanha junto aos consumidores do Reino Unido-- maior importador de mogno da Europa--, para que deixem de comprar móveis e utensílios feitos com mogno brasileiro. Na votação secreta sobre a inclusão do mogno na lista de espécies ameaçadas, 50 países votaram a favor e 33 contra, inclusive o Brasil. Devido à necessidade de maioria de dois terços, o mogno não foi incluido no Apêndice II por apenas seis votos. "A votação mostrou que a comunidade internacional é favorável à proteção do mogno", constata Roberto Smeraldi, alertando que o comércio internacional de mogno está fora de controle. A posição do Brasil representa um retrocesso em relação à última
83715 conferência, quando o país se manifestou a favor da inclusão do mogno no
83715 Apêndice II, alerta Eduardo Martins, diretor executivo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no Brasil. "A decisão enfraquece as possibilidades de o Brasil assumir uma liderança mundial em termos de política florestal, apesar de possuir um terço das florestas tropicais do planeta", comentou. Votaram a favor da inclusão do mogno países da União Européia, EUA, Costa Rica, Honduras e El Salvador e contra, entre outros, Brasil, Peru e Bolívia. Colômbia e Venezuela não declinaram voto, mas alinharam-se com os que defenderam sua inclusão entre as espécies ameaçadas. Os representantes brasileiros na reunião negaram que houvesse base científica que justificasse a inclusão do mogno brasileiro na lista de espécies ameaçadas e argumentaram que a medida poderia estigmatizar a madeira do Brasil no mercado internacional e que aumentaria os custos da indústria madeireira, incentivando a exploração ilegal. Mesmo sem ter o mogno incluído no Apêndice II, a partir de agora o Brasil terá que emitir certificado de origem para todo lote de mogno que deixar os portos do país, para que possa ser diferenciado do mogno de Honduras, El Salvador e Costa Rica, que continuarão comercializando a madeira em modelos sustentáveis, de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo próprio Cites (JB).