O prefeito do Rio de Janeiro (RJ), César Maia (PMDB), decidiu impedir que teatros e cinemas tornem-se casas de bingo, como ia ocorrer com o antigo Cine Copacabana. Ele modificou ontem o artigo quarto do Decreto 13.331, de 21 de outubro, que regulamenta a atividade dos bingos. Agora, os bingos só poderão ser instalados em clubes, hotéis, auditórios de rádio e TV, restaurantes, boates e casas de espetáculos que não tenham palco italiano. Segundo a secretária municipal de Cultura, Helena Severo, o prefeito ficou sensibilizado com a possibilidade de cinemas tradicionais da cidade fecharem as portas para transformarem-se em bingos. Ela condena a disposição dos empresários de fechar os cinemas de rua para abrir novas salas em shoppings. Eles alegam que os shoppings são mais seguros. "O setor cultural é essencial para recuperar a imagem da cidade, desgastada pela violência. E a estratégia de enfrentamento é a população voltar às ruas", diz a secretária. Para Arturo Neto, assessor de programação do Grupo Severiano Ribeiro, dono do Cine Copacabana, o mercado de cinema no Rio está aquecido: foram abertas 15 novas salas e outras seis ainda vão ser inauguradas. "O empresário tem que investir onde encontra melhores possibilidades de lucro", diz. O advogado Hélio Saboya Filho acredita que o decreto do prefeito é inconstitucional e que os empresários poderão recorrer, alegando afronta ao direito de propriedade e à livre iniciativa (JB).