Em seu primeiro pronunciamento oficial depois da eleição dos novos governadores, o presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), deu sinais de que não pretende abrir os cofres da União para os estados. Em vez de promessas de ajuda aos tucanos que estarão no comando de seis estados a partir de 1o. de janeiro, Cardoso pediu "a compreensão de todos", para as medidas que seu governo vai tomar para manter a estabilidade da economia, e advertiu: "As medidas serão sempre dialogadas, mas serão tomadas no sentido de que o saneamento das finanças públicas prossiga". Dizendo-se convencido de que a luta contra a inflação não é mais uma decisão de governo, e sim do país, FHC tentou tranquIlizar os investidores. "O esforço de combate à inflação virá pari passu com a preocupação de que a produção nacional continue crescendo", enfatizou. Ele quer que o país retome um desenvolvimento sustentado, que acabe com os bolsões de miséria e respeite o meio ambiente. "Peço aos governadores que nos unamos nessa direção, pois ninguém aceita mais formas selvagens de desenvolvimento econômico". Cardoso reafirmou sua disposição de trabalhar com todos os eleitos, sejam eles de partidos que o apoiaram ou não. Explicou que não pretende transformar sua disposição para o diálogo em cooptação, especialmente no Congresso Nacional. "No regime democrático, a oposição é sempre necessária", destacou, ao lembrar que a opinião pública não aceita mais "procedimentos que eram rotineiros em outra época". Além de prometer aos partidos um diálogo franco, o presidente eleito declarou seu governo aberto à participação dos políticos (O ESP).