O MERCOSUL É APENAS O COMEÇO

Os 11 países da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) estão negociando entre si 44 acordos de livre comércio, mas têm a possibilidade de atingir até 55 convênios de liberalização comercial, cifra obtida por análise combinatória. Ao ritmo atual do processo de integração, em 2005 os 44 acordos terminarão em um espaço livre de tarifas de importação, diz o brasileiro Antonio Antunes, secretário-geral da entidade, que em seus 14 anos de existência pela primeira vez vê se aproximar o sonho de Simón Bolívar: um continente integrado. Essa espécie de caos integracionista terá de passar por um esquema de articulação e convergência nos próximos anos. Nesse sentido, a ALADI concluiu há dois meses um estudo com o diagnóstico dos problemas e sugestões para uma grande área integrada em comércio, serviço, transporte, telecomunicações, cooperação técnica e empresarial, propriedade intelectual, seguros, ciência e tecnologia. Uma área de livre comércio sul-americana, que o governo Itamar Franco propôs há um ano aos seus parceiros, com a sigla ALCSA, aproxima-se da proposta da ALADI, sendo até mesmo compatível com ela, diz Antunes, mas o programa de ação para a convergência, esboçado pela entidade, é mais ambicioso porque vai além da liberalização do comércio de bens. Essa rede de acordos de livre comércio inclui uma zona totalmente liberalizada (tarifa zero) entre Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela, países que formam o Grupo Andino; uma outra em formação entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (MERCOSUL); e outras semelhantes a caminho entre Colômbia, Chile, México e Venezuela. O Chile já fez acordos bilaterais com esses três países e o Grupo dos Três (G-3), formado por México, Colômbia e Venezuela, também partiu para a liberalização comercial. O MERCOSUL aprovou recentemente a resolução 45, que abre a possibilidade de os quatro sócios negociarem a ALCSA com seus parceiros. A mesma resolução prevê negociações entre o MERCOSUL e o México mediante critérios ainda não estabelecidos. O México é um caso à parte, porque terá de dar compensações aos membros da ALADI que se sentirem prejudicados por não receber preferências concedidas aos integrantes do NAFTA, integrado por EUA, México e Canadá. É esperada, também, a incorporação do Equador ao G-3, o que equivaleria a um acordo de livre comércio entre esse país e o México. Uma vez alcançados os objetivos dessas negociações, se formaria uma trama
83686 de acordos de livre comércio por pares ou grupos de países que envolveria
83686 a grande marioria das combinações possíveis. Somente ficaria fora dessa
83686 trama o Chile com a Bolívia, o Equador e o Peru, o México com a Bolívia
83686 e o Peru, e, eventualmente, México com o MERCOSUL, segundo a orientação
83686 que se dê ao artigo 3o. da resolução 45, diz o estudo, para a elaboração de um programa de ações para articulação e convergência entre os diferentes esquemas de integração preparados pela ALADI. A velocidade da integração é tão rápida que, depois de concluído o estudo, a Bolívia já assinou um acordo de livre comércio com o México e começou a negociar com o MERCOSUL, que também está preparando um acordo com o Chile. Na visão do secretário-geral da ALADI, não é só a trama de acordos que impressiona, mas o crescimento do comércio e "uma explosão de expansão transfronteiriça de empresas". Em 1993 o comércio dentro da região cresceu 21%, tendo atingido US$23,6 bilhões, o que já representa 20% das exportações intra-regionais, em relação a 10% em 1991. As trocas dentro do MERCOSUL foram as que mais se ampliaram (42,5%), vindo em seguida o comércio do MERCOSUL com os países andinos (14,6%), o intercâmbio do MERCOSUL com o Chile (12,4%) e o fluxo de exportações e importações entre os membros do Grupo Andio (11,9%). O comércio entre o MERCOSUL e o México aumentou 8,6% no ano passado e o dos andinos com o México, 4,5% (GM).