A participação do eleitorado caiu no segundo turno das eleições, realizado em 17 estados e no Distrito Federal. Em todos eles a abstenção do eleitorado em 15 de novembro superou a do primeiro turno, em três de outubro. A maior abstenção aconteceu no Pará, onde 42,1% dos eleitores não votaram no segundo turno. No interior do estado, a abstenção chegou a 49%. No primeiro turno, 32,1% dos eleitores paraenses não compareceram para votar. Outros estados que tiveram altos índices de abstenção foram Rondônia (39,3%), Maranhão (38,2%), Bahia (37,8%) e Amapá (33,2%). Para a historiadora Maria Vitória Benevides, estes índices de absten,ão mostram que a ausência dos eleitores não é provocada apenas pela falta de interesse na eleição. "Analisando estes resultados, fica claro que a maior abstenção é exatamente a dos setores da população mais marginalizados, que têm maior dificuldade de chegar até as urnas", avalia a historiadora. A menor abstenção do país aconteceu no Rio Gande do Sul, onde apenas 14,2% dos eleitores não votaram. Em São Paulo, a abstenção foi de 14,6% e em Santa Catarina chegou a 14,4%. No Distrito Federal, 15,7% dos eleitores não votaram. O percentual de votos nulos foi muito menor nos estados em que a eleição estava polarizada, com dois candidatos em condições de vencer. No Rio Grande do Sul, onde Antônio Britto (PMDB) obteve 49,5% dos votos e Olívio Dutra (PT) chegou a 45,3%, os votos nulos foram de 4,16% do total. Em Santa Catarina e Sergipe, onde a eleição foi decidida por uma pequena diferença de votos, o percentual de votos nulos ficou abaixo de 4,5%. Nos estados em que as pesquisas apresentavam um favorito destacado, o percentual de votos nulos foi maior. Foi assim em São Paulo (12%), Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (9,7%) e Bahia (11,5%). Para a professora Maria Vitória Benevides, como a cédula de votação no segundo turno era extremamente simples, caiu o percentual de eleitores que tinham os votos anulados por erros. Sobraram os votos anulados por protesto ou desinteresse dos eleitores, "percentual que foi bem menos nas eleições polarizadas, onde o envolvimento dos eleitores era muito maior" (FSP).