Com o apoio de voluntários e empresas, organizações não-governamentais (ONGs) de Campinas (SP) estão conseguindo diminuir o índice de marginalização de crianças. A estratégia consiste em criar cursos artísticos e profissionalizantes nas favelas onde os menores moram, a fim de evitar que eles fujam para as ruas do centro, onde geralmente têm os primeiros contatos com drogas e começam a praticar pequenos delitos. O trabalho das ONGs ganhou destaque nos últimos dias, depois que o prefeito José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB) anunciou a realização de uma operação para inibir a presença de menores nos cruzamentos das principais avenidas. Entre as medidas anunciadas, está a instalação de grades nas calçadas perto dos semáforos, para impedir os menores de abordarem motoristas. "O prefeito diz que vai tirar as crianças das ruas, mas não diz para onde irá enviá-las", protestou o publicitário Jorge Pequeno, diretor da ONG Estação Energia 21. Há uma semana, a entidade inaugurou dois cursos profissionalizantes na Favela Santa Eudóxia, onde moram 500 famílias. Menores de sete a 14 anos, que antes ficavam pelas ruas, estão tendo aulas de marcenaria e tecelagem. Por enquanto participam do projeto 40 crianças, mas o objetivo é expandi- lo para toda a comunidade. As crianças também aprendem desenho, música, capoeira e artes circenses. O segredo é partir para a ação, sem se perder na burocracia, diz o empresário Carlos Antônio Gomes, diretor da ONG Mutirão Democrático, que desenvolve atividades educacionais em 10 favelas da região leste de Campinas. O trabalho começou há dois anos, no Jardim Santana, onde 130 crianças têm aulas de dança e pintura em tecidos. Outros 120 meninos estão numa escola de futebol. "Ninguém mais quer pedir esmola na rua", diz. O Mutirão Democrático também faz o acompanhamento escolar das crianças. Segundo Gomes, a ONG já conseguiu recuperar vários envolvidos com drogas e crimes (O ESP).