O governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vai criar um órgão para cuidar exclusivamente do cinema nacional. O modelo da extinta Embrafilme está descartado. O novo órgão será uma fundação ou instituto, responsável por definir uma "política industrial" para o cinema. A linha básica: tornar o cinema um produto de mercado rentável, com investimentos públicos, via bancos de financiamento da produção, e privados. O governo FHC quer servir de ponte entre produtores de cinema e financiadores, além de estimular o intercâmbio com outros países, para garantir mercado internacional para os filmes brasileiros. Está em estudos a abertura de linhas de crédito específicas, com juros mais baixos, por exemplo, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O cinema passa a ser encarado, do ponto de vista econômico, como uma atividade produtiva que precisa de incentivo. "O cinema é um setor de produção industrial. Necessita de uma política articulada de financiamento, formação de quadros técnicos, divulgação e mercado", afirma Jorge da Cunha Lima, um dos elaboradores do programa de FHC para a cultura. A política cultural do governo FHC vai empregar um modelo norte-americano. Além do órgão de cinema, deve criar uma fundação cultural nos moldes do National Endowment for Arts (aval nacional para as artes)-- uma espécie de intermediário entre os produtores culturais e a iniciativa privada. A função básica de tal organismo é avaliar os projetos culturais, para que tenham credibilidade junto ao mercado. É um aval governamental, que credencia os produtores a levantarem fundos para seus projetos. A própria fundação cuidará de colocar em contato produtores culturais e investidores. A falta de recursos é a principal ameaça aos planos do novo governo para o cinema e cultura. A área de cultura conta hoje com apenas 0,04% do Orçamento da União. O ideal é 2%, ou 50 vezes mais. Os recursos serão necessários para a montagem dos novos órgãos e investimentos em Infra- estrutura cultural". Mas a cultura vai disputar fatias do Orçamento com áreas consideradas "prioritárias": educação e saúde. Jorge Cunha Lima afirma que o dispêndio da União com cultura deve atingir nos próximos quatro anos pelo menos 1% do Orçamento, estimativa otimista de multiplicar os investimentos por 25. Como no caso do cinema, a política cultural para todas as áreas terá um objetivo básico: a garantia de mercado. "É preciso ativar uma rede cultural, um circuito de salas de espetáculos, cinemas, espaços culturais, por todo o país", afirma Cunha Lima. Por essa razão, uma das primeiras medidas do novo governo deverá ser um "censo dos espaços culturais". Com esse censo, seria feito um levantamento de todos os locais que podem abrigar atividades culturais no país. Para fazer o mapeamento, pretende-se conseguir a colaboração de estados e municípios. Após identificar todas as possibilidades de circulação dos produtos culturais, o governo poderia investir na recuperação e criação de novos espaços. Outra função que ficaria reservado ao governo é a de regionalizar a produção cultural. Isso significa estimular financiamentos locais para projetos de menor vulto (Ilustrada-FSP).