PETROLEIROS NÃO ACEITAM REVISÃO DO ACORDO

Os petroleiros não aceitam qualquer revisão no acordo salarial. O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Antônio Carlos Spis, disse ontem que o acordo não fere o Plano Real e nem as decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ele prometeu retomar a mobilização da categoria, podendo chegar à greve caso o governo altere, unilateralmente, o que foi pactuado. O acordo entre o governo e os petroleiros vai custar mais de R$430 milhões à PETROBRÁS, segundo cálculos preliminares do Ministério das Minas e Energia. Deste total, R$360 milhões se destinarão ao pagamento da antecipação de dois salários-- um em dezembro e outro em janeiro-- a cada um dos 52 mil funcionários da estatal para compensar perdas trabalhistas relativas ao Plano Bresser. Outros R$68 milhões pagarão a conversão do 13o. salário pela URV de 30 de junho. Esse critério de conversão propiciou um ganho real de 38% sobre a antecipação do 13o. Outro custo significativo é o pagamento dos salários de 93 sindicalistas da PETROBRÁS, liberados para exercer suas atividades com a garantia de recebimento integral das vantagens trabalhistas-- cerca de R$1,8 milhão por ano. Os cálculos do Ministério incluem o prejuízo de R$140 mil pelas sabotagens dos grevistas na refinaria de Gabriel Passos (MG) e nos poços na Bahia. No julgamento do TST, cada sindicato foi obrigado a pagar multa de R$50 mil por dia de paralisação. Depois de participar da finalização do acordo com os petroleiros, o ministro do Trabalho, Marcelo Pimentel, recuou ontem e disse que, se dependesse dele, "esse acordo jamais teria sido assinado" (O ESP) (O Globo).